Rui Barbosa (1849-1923) foi um advogado, jornalista e político brasileiro. Ele foi provavelmente a figura política latino-americana mais talentosa do seu tempo.

Primeiros anos de Rui Barbosa

Rui Barbosa de Oliveira nasceu em 5 de novembro de 1849, em São Salvador, Bahia, em uma família de longa data de ascendência portuguesa. De 1866 a 1870, estudou nas faculdades de direito de Recife e São Paulo, onde se juntou entusiasticamente ao movimento abolicionista. Suas idéias liberais foram igualmente bem articuladas em seu próprio jornal abolicionista, O Radical Paulistano, e em seus discursos emocionantes perante organizações e grupos de estudantes em São Paulo.

Sua luta pelo liberalismo

Retornando à Bahia após a formatura, ele se juntou ao partido liberal e se tornou o editor do Diário da Bahia para continuar sua campanha antiescravista.

Defensor do liberalismo convicto em todos os seus aspectos, tanto políticos quanto econômicos, Rui Barbosa iniciou uma campanha abolicionista radical apoiada por uma série de artigos de jornal publicados que no Radical Paulistano, em 1869, e no jornal da Bahia, órgão de expressão do partido liberal brasileiro entre 1871 e 1879. Barbosa defendeu o liberalismo fortemente influenciado pelo catolicismo e pelos grandes pensadores europeus dessa doutrina, como Adam Smith, Stuart Mill e o historiador francês François Guizot, em cujo trabalho histórico educacional fundamentou suas teorias. Barbosa também fez eco ao modelo federalista americano como estrutura política ideal para aplicar no Brasil.

O começo de sua carreira política

Em 1878 foi eleito para a Câmara dos Deputados, onde apoiou firmemente a reforma e a reforma educacional. Em reconhecimento ao seu detalhado relatório sobre o sistema educacional nacional, ele recebeu o título de Conselheiro do Império em 1881. Sua posição sobre a abolição, no entanto, condenou sua candidatura à reeleição.

A ascensão ao vice-chefe do governo provisório

Longo admirador da monarquia parlamentar britânica, Rui Barbosa favoreceu a descentralização do império em vez de uma república. Quando a abolição foi decretada em maio de 1888, Barbosa imediatamente acelerou sua exigência de federalização do império em outro de seus jornais, o Diário de Noticias. Após o golpe militar que depôs Pedro II, Barbosa foi escolhido como vice-chefe do governo provisório de Manoel Deodoro da Fonseca e recebeu as pastas dos ministérios da Fazenda e da Justiça, além de ser encarregado de redigir a Constituição.

Como ministro das finanças, Barbosa herdou a falida economia imperial. Sua continuidade do encilhamento (um período de especulação financeira frenética no mercado acionário brasileiro) e a autorização da emissão de papel-moeda só exacerbaram a crise financeira. Ele renunciou a sua posição, juntamente com o resto do Gabinete de Deodoro, durante a crise ministerial de janeiro de 1891.

Sua luta contra o governo Peixoto

No ano de 1890, Rui Barbosa tomou parte ativa na redação da nova Constituição da República do Brasil, de influência americana, além de ser eleito senador sob a primeira presidência republicana a cargo de Floriano Peixoto, de cuja política, cada vez mais demagógico e arbitrário, estava ausente. Em 1893, Barbosa assumiu o comando do Jornal do Brasil, do qual não cessou de atacar os excessos do governo de Peixoto. Banido por isso, primeiro chegou a Buenos Aires, para acabar se estabelecendo em Londres no que escreveu as famosas cartas da Inglaterra, baixo o pseudónimo de “Orey”, em 1893.

O exílio de Barbosa

Acusado de ser um dos conspiradores da revolta naval de setembro de 1893, Barbosa fugiu para Buenos Aires e depois para Londres. Enquanto em Londres, ele escreveu uma série de cartas, dando suas impressões e observações da cena europeia. Esta série, mais tarde publicada como suas excelentes Cartas da Inglaterra, começou em janeiro de 1895 com um eloqüente pedido de justiça no caso Dreyfus.

Sua volta ao Brasil

Retornando ao Brasil no ano de 1895, Barbosa voltou a ser eleito senador pela Baía, pois defendia a concessão de anistia política aos participantes nos dias revolucionários do ano de 1893. No ano de 1898, Barbosa voltou a demonstrar sua independência política, seu gênio como um crítico e suas excelentes habilidades como jornalista para se opor ao governo do presidente Campos Sales, sob a direção do novo jornal da revista.

Últimos trabalhos antes de sua morte

No ano de 1907, Rui Barbosa empreendeu uma fase frutífera como diplomata a ser nomeado representante na Conferência Internacional em Haia, a partir da qual se afirmavam os direitos das nações menos poderosas em um fórum dominado pelas potências imperialistas da época. De volta ao Brasil, Barbosa tentou, por duas vezes consecutivas, o acesso à Presidência do país. Em ambos foi derrotado, por Fonseca, em 1911, e por Pessoa, em 1919.

Desde o ano de 1921 até sua morte, Barbosa foi membro permanente do Tribunal de Justiça Internacional, órgão da Liga das Nações. Excelente escritor e melhor orador, Barbosa pertencia à Academia da Língua do Brasil, que se tornou seu diretor.

Legado de Barbosa

Além de sua renome político, Rui Barbosa também é considerado um dos maiores estudiosos do Brasil e talvez o notável escritor de prosa da língua portuguesa. Ele era um lingüista proeminente que falava fluentemente inglês, francês, espanhol e italiano e possuía um conhecimento imponente das línguas clássicas. Sua biblioteca multilíngüe de 40.000 volumes foi supostamente a maior coleção privada da América Latina.

Barbosa escreveu centenas de obras jurídicas e políticas, entre as quais destacam-se: o Papa e o Conselho (1877), a emancipação dos escravos (1884), as páginas literárias (1918) e a ditadura e a República (1932), esta última. trabalho publicado postumamente.